sábado, 28 de julho de 2012

Lentabruptamente


Nós
Vítimas do complexo de matrioshka
─ "Pra dentro, pra dentro, pra dentro"
Refletindo no teto do mundo
Turvo claro infinito
Incontáveis encontros
Tangenciando-nos
E derramando incompreensões
Perfeitamente plausivisíveis
Nos limites da carne
Ao olho obtuso

Pelo chamado
Trilha entreaberta à arte de não discernir
Os fatos das intuições
Numa dança drama darma
Em que vergamos os corpos
Sem desgrudar as bocas
E as pernas e os tempos contorcidos
Pelos caprichos da matéria
E antinomias do desejo
Que forjam perguntas e medos
Só para amortizar

O amor
Mas nada explica nada
No mundo das ideias
O que é, é
Não adianta ou atrasa
É tudo a coisa agora
Esse rodamoinho que imprime
No avesso da resposta
O que eu não sei dizer

A interferência
Altamente sonora
Sibilando descoberta
E espalhando-nos
E imiscuindo-nos
Lentabruptamente
Como um espirro de Deus
Sobre a poeira cósmica

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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