terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Em Algum Ponto

Em algum ponto da tênua linha
Nascia ela
Vinha arrastando o tempo do tempo
Como se cada geração das minhas origens
Fosse parte de sua chegada
E a própria chegada em si
Meus pais, meus avós
Meus cadernos, meus cigarros, minhas mágoas
Meus lapsos de liberdade
Minhas descobertas
Como se houvesse decifrado um código
Como se fosse previsto num códice
De tempos imemoriais

E é tão maravilhoso entender
Que o romantismo alemão
E a primavera dos povos
Que tudo construiu o frágil status
Do presente
Que é meu também, e dela,
E de nenhum de nós
E em que ponto nada seria?
E em que ponto eu me tornei
O que quer que seja?
Me torno agora
Sinto a vida me marcar com força a pele
A tênue linha
Pois nos tornamos, mesmo sem sermos
E quando olho nos olhos dela
Perco a coragem de não viver
Perco a coragem de trair
A incrível história do mundo
Mesmo que dela eu saia amputado
De parte da costela
Que é minha, que é ela
Mas que nada é
Como caminha e descaminha
A humanidade

Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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