segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um ano ou um dia

Às vezes o relógio cansa
O mundo é tão cheio do tempo
Que cria fantasias nos meus sonhos
De toda manhã
Hoje, existi um pouquinho
Saí correndo pela vila
E me atirei no futuro
Não, não corri, caminhei
Acho que não me movi, afinal
E o suor dos meus braços apoiados
já dissolve a espuma emborrachada
Da cadeira tipo presidente
Que mora no meu quarto há anos
Será?
Será que ela me ajuda a inventar
As histórias que deveriam me inventar?
Será que ela sente, como eu,
Que um ano ou um dia
Têm sido a mesma coisa?
Será que vi isso num filme?
Será que guardei a espuma do mar
No bolso da bermuda?
Será que queimei com o cigarro
A tensão superficial da vida
Bolha de sabão?
Será que um dia esse ponteiro acerta
E essa ausência some?
Já não faço a menor ideia do que é fato
Ou do que é ideia
E não sei porque pedem coerência e rimas
Quando mal sei meu nome

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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