quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Nublados

Naquela manhã
Chegou como quem era dona
De tudo
Abriu meu Neruda
Num verso qualquer
E leu para o universo
Como fizesse uma oração
Daí ouvimos Beatriz
E Ana de Amsterdam
Ela me perguntou entre beijos
Se eu não era feliz
Eu gargalhei
Ela se exaltou
Me pediu um café forte
Não tardou em disparar filosofias
Sobre o meu medo de amar
E eu
Me esquivando dos seus berros
E nos salvando do absurdo
Arranquei o Neruda do seu colo
Arranquei o lençol do seu corpo
E transamos contra o tempo
Meio desesperados
Até cair num silêncio tão eloquente
Que se ouvia o crepitar da brasa
Nos cigarros.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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