sábado, 26 de novembro de 2011

Gatilho

Habito o ventre da noite
Como num déjà vu
Acho que vou nascer pelo avesso
Há anos tenho feito malabarismos
Com os limites da sanidade
Por que tanta dor, ainda?
Por que tantas possibilidades?

Quando o meu fígado metaboliza
A última gota de álcool
O sol já assombra o horizonte
Por sobre as nossas cabeças
E eu, condenado à liberdade,
Suporto o insuportável.

De vez em quando, pra matar o tédio
Hiroshima e Nagasaki explodem juntas
Dentro de mim
E sinto que é a hora de puxar o gatilho
E sei o quão frágil é a placenta da vida

Então, refaço a catarse da minha história
E me distraio em algum sonho bom
Espelhado nos olhos de quem conhece o castelo
Pelo estilo e pelo estado da fachada

domingo, 6 de novembro de 2011

Heresia

Minha angústia jorra dos poros
Animando a inexpressão de Clara
Resvala no seu corpo de retina
Dissolve luz na pedra bruta

Condenado em absoluta heresia
Escorro entre beijos e espantos
E insisto amar a musa oblíqua
Que zomba de mim pelos cantos

No oásis ao norte de Pasárgada
Eu quero beber de toda a água
Que aos poetas nenhum mar ostenta

E, na areia, vomitar a alma
Que a vida inteira não esgota
E a carne frágil não sustenta

Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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