domingo, 10 de abril de 2011

Passagem Subterrânea

Tenho um coração intangível
Que é o coração que só bombeia
O sangue autômato

(Esse coração é o coração que atravessa
As passagens subterrâneas
E muito esbarra em outros corações
Mas não se afeta)

Tenho um coração de poeta
Que é feito de algodão doce
E só existe se encosta, se enxerga
Se mescla-se em outros corações

(Esse coração é o coração que atravessa
As passagens subterrâneas
À procura de um sentido
E a despeito das pulsações)

Tenho um coração que anda na lua
Tenho um coração que anda na rua
Um automático, um errante
Um cético, um cartomante...

E não sei o que gemina estes corações!
E não sei onde germina em mim a vida
Porque enquanto um coração dorme no leito
O outro coração transcende o peito
E grita.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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