domingo, 24 de abril de 2011

Hemorragia.

Hemorragia de ódio
É inútil nadar
Não existe um mar
Tampouco redenção
Existe apenas a corrente de mal-estar
Que varre o coração
Aterra o sossego
Racha as estruturas
Destrói as sinapses
Paralisa as articulações
E cancela a linguagem.

Queria paz
Queria demais ir embora, não sei pra onde
O tempo passa estranho
Quase absurdo
Lá fora é dia claro, as cores gritam
A cidade me estrangula em vida
E eu me escondo no quarto
Atrás do espelho
Atrás de um sorriso
E só eu ouço esse Adágio em G menor
Que me adormece no volume máximo
E só eu vejo essa poça de ódio que cresce
No piso.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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