quarta-feira, 27 de abril de 2011

Chamado.


Sinto o seu sonho tocar no meu sonho
Devagar
Alguma coisa transcendente nos alia
E toda a matéria se mistura

Entre nós não devia existir pecado
A gente se esfrega religiosamente
E é tudo muito inteiro, e muito sacro

Aliás
Não devia existir pecado entre almas densas
(Quaisquer delas):
Se num deserto de alma desertas
Dizia Caio
Uma alma fértil enxerga logo a outra
Pois que se se encaixem e se tenham nuas
E que o seu achado mútuo espalhe humanidade
Nas almas, nos corpos, nas ruas...

Do que olho nem sempre me lembro
Mas do que vejo eu nunca me esqueço
Reconheço seu corpo em qualquer corpo
As suas loucuras entre quaisquer loucuras

E dentro das vagas noites escuras
Eu mantenho a absoluta certeza de que algo
Ainda vai nos dispor um diante do outro
Só pra que a gente se olhe, se veja e se encontre
De novo.

* Foto: tela "Sobre a Cidade", de Marc Chagall (1915).

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Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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