sábado, 19 de março de 2011

Transubstanciação

A transubstanciação da matéria
Jamais neguei
Apenas por teu corpo eu existo
"O corpo de cristo..."
O corpo-pão
Se me atiro à deglutição
Da tua matéria indecifrável
Engulo à seco e sigo faminto
De algum sentimento palpável

Mas se alcanço o limiar do teu corpo
De cativa irresoluta
Sou barco atracado num porto
Por direito apenas meu

(E sou movido por alguma luta
Que só se luta e nunca se vence
E faz a fome de paixão crescer
Em extensão, sabor e vida)

E de toda a espécie de comida
A ceia que me traz é farta
Nos lábios onde se quedam asas,
Seios, mãos
Alguma amarga verdade faz ninho
Viçosa de qualquer sentido
Que é sangue na mão dos bandidos
Mas na boca dos aflitos
Vinho

0 comentários :

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

Seguidores...

Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP