quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Crua e cruel.

A madrugada vagabunda de quarta
Vagarosamente iluminada pela lua
O desconforto da cadeira da espera
A minha presença magra diante do espelho
A ausência requintada de qualquer desejo
A insolubilidade para o desespero

Saudade...
Coisa crua e cruel
Gosto de noite mal dormida
Nos dentes, gengiva, e língua, e saliva
A demora do meu sonho de morfina
Mais lúcido e consciente em sua longa estada
Quando visto de dentro do olho
Da amada

Saudade...
É o que vejo em tudo
É o que toco e não sinto
Os mortos falantes sem sepulcro
Que andam, vão à praia, lêem livros
E festejam a aparição do arrebol
Quando a tarde mata o sol
E inunda o céu
De amor

E sangue.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Poema-Olho

Quero fazer um poema
Sobre tristeza
Um texto elástico
Que amarre cores e ruídos
E vômitos e delírios
Um verso-corpo, furado de espadas
se arrastando entre túneis e escadas
Espirais infindas

Quero escrever um poema-olho
Que enxergue ao contrário
Um projetor de lembranças que expurgue
O espectro de pigmentos
Por mim concebidos
E agora expostos feito imagem e semelhança
Desse meu roteiro
Desse meu destino

Quero traduzir o desconforto
Criando um desatino qualquer
Sobre o desígnio torto de viver
Mas falta o doce e a colher
Falta o alimento, o fim, o corpo
Falta palavra, falta sonho,
Falta algo que traduza...
Erato, Euterpe, Clio?
Não vi... E me pergunto
Por onde vagueia sem saudade
A minha musa?

Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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