quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Haja Kandahar

Se Kandahar for mais quente
Do que o meu quarto
Não me importo, lá nunca estive
Kandahar é breve para mim
Vista de longe, feita aos cacos
Vai se afirmando mais extensa
E há de ser plena de palavras
Que nunca deixam de estar novas
Mesmo que prostituidamente
E sem afeto
Sejam usadas
Há de ser o que eu quiser que seja
E por isso amo Kandahar
Porque não amo a Lapa, chão onde piso
Braço de vida onde se acaba a catarse
Com muita ressaca
E pouco cortejo
Amo mesmo aquela esperança malograda
Aquele beijo em suspenso
Aquele lugar, aquele ideal
Aquela paragem ao norte
Que, virgem da minha estada,
Multiplica-se de nomes
Amo mais a amante ausente
Em cada mulher transeunte
De cada segundo seguinte
E cada resposta que não sei
Dizer
O destino nos confunde, sempre
Espero que não me leve à Kandahar
Onde não quero pisar hoje
Aliás, nunca
Porque prefiro fecundá-la aos poucos
Vivê-la aos solilóquios
Enchê-la de tudo o que é desejo
Com a utopia de encarnar o super-homem
De Nietzsche, ou dos quadrinhos
Porque ao contrário do que dizem
Aqueles que não se julgam loucos
Se realmente existe um cais
Se houver Kandahar
O paraíso são os outros.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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