quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Em Falso...

Encontro a lagoa, na Borges,
A noite me dói
Se a procuro refletida
E não vejo
Persigo o dia
Vou ao Flamengo, à Botafogo
O inferno chega em mim
Aos poucos

Como as folhas caídas do aterro
Quero o gosto, aquele
Aquela seiva de corpo
Aquele fluido vaginal
Aquele vício
A natureza me chama
Não sei de onde vem
Mas ouço

Na Urca, medito
Com os pés descalços
A Avenida Portugal me recebe
Lacônica
A vejo do outro lado
Num embaraço
De passos
Que me enlaçam

Quero tabaco, cachaça, sexo
E ócio
Quero gozar definitivamente
Não quero porra nenhuma, só quero
Que parem de me seguir a rota
Os epiléticos de Copacabana
Os felizes e os saciados

Das varandas
Trocam-se olhares suspeitos
Que a apontam perdida
Na Paissandu
Próximo ao Largo do Machado

É claro, vejo seu traço no céu,
Vou de encontro
Piso em falso
Sou outra coisa, menos gente
Sou nada

Sou triste demais
Tenho braços que me atrapalham
Que sobram
Que me nadam na baía,
Se penso que ela esteja
Na ponte
Prestes...

Eu
Ao dispor de pálidas armas
Amantes hipotéticas
Com seus gatilhos de veludo
Vermelho
Seus sexos tapados
Que de mansinho
Ou com vigor
Sempre me dizem
Não

Eu
sou eu que entendo John Lennon
Também amei Yoko Ono
Desde que vi seu “yes”
Sapiente
Rompante
Conclusivo

Romântico e destruído
Por nada
Em Laranjeiras eu caio
Exausto
Na Pinheiro Machado
A lua apaga, a vista embaça
Próximo ao viaduto
Não sei se o que ainda me prende
Me prende, de fato

O gerúndio processual e inconcluso
Acabou de acabar.
Ele que há tempos me adiava:
Não estou ficando louco
Agora
Eu
Já...

1 comentário :

Bordando Letras. 4 de novembro de 2010 20:51  

É um descontentamento perene...gostei dos seus escritos.

Jardélia Damasceno

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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