quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lembranças, no âmbar, não ficam.

O ápeiron é agora:
meu sangue borbulhando na chaleira do corpo,
meus pés que vacilam na soleira da porta
querendo voltar.

Tudo se escora,
mas, equilíbrio, não!
Ao contrário:

Ápeiron,
como despolarização maior que o caos.
Lembranças no âmbar

não ficam.

Do lado de cá, minh'alma
que grita,
que em urticárias filtra a parte fogo
do elemento água...

Desejo:
a ambição humilhada,
desbaratada facilmente;
do poema impresso,
seu preço incorpóreo
e alto

(fragilidade concreta).

Pago pra ver,
não sei se resolve.
Conheço a temporalidade da matéria,

conheço o imperativo de ser.

Não tenho escape pra essa coisa
que, ora ápeiron, ontem palavra,

já foi tinta,
foi língua,
foi âmbar,
foi nada.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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