sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Limite.

Claustrofobia.
Castração.
A força que oprime.
A moça foge, a mão a alcança, a câmera treme...
Ela esteve doente nas últimas semanas.
Antibiótico regrado (de 12 em 12 horas),
o periódico por hábito lacrado
sobre a mesa,
whisky, passaporte,
uma vontade imensa de infringir as regras,
mas, ainda que frouxa,
a venda...
Que nos olhos atrasava o aporte do estalo óbvio:
quem não subscreve o limite... Não peca.

Bobagem, uma questão relativa.
Seu reconhecimento imediato se deu
no reflexo do café
na xícara:
estava presa num tronco onde mal cabia
(a cigarra num pote de criança!).
Ruminava o desdém pela verossimilhança
e ia, então,
se reduzindo...

Pela manhã fumava seduzindo
alguém
por trás do espelho.
Junto à poltrona de rattan da sala
rezava, ela, de joelhos.

Pra dilatar o campo dos contatos
onde a porta do corpo não abria
fingia agora interpretar a si mesma
durante um ensaio de filosofia:

“(...) Ando à cata do que me traduza
o nome e a medida da escala
em que o sentido das coisas se messa
no momento que antecede a fala. (...)”

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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