domingo, 26 de setembro de 2010

Da sujeição de Severin.

Wanda, coberta de couros escuros,
com os olhos mais gélidos que a fria madrugada russa
do inverno alemão,
esvaziava Severin do ser Severin,
pregava Severin na cruz,
e fincava a cruz no mais erguido que pudesse.

O seu pacto, firmado em silêncio, arrogava um pietismo naturalmente

[estabelecido
entre o artista e a obra,
dentro do qual todo o prazer se concretizaria no entreatos,
no rito de passagem:
a coesão - apavorada - dos músculos contractos
contra o relaxamento que sucede ao pingo
da cera quente.

Se Wanda, a Vênus, trajava o quíton clássico,
se podia gravar em seu braço a marca de Caim,
então cruel era o perdão
e vil era Severin,
o tirano,
o escravo,
que em seu maior artifício de vilania
almejava sujeitar a musa de Pompéia
a sujeitá-lo.

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Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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