sábado, 25 de setembro de 2010

Trailer.

Saudade de sentir saudade,
um refúgio que tudo tangencia
mas nada o invade;
a capacidade de conter o universo
num nome simbólico, mítico;
o álibi atestado pra chorar sem culpa,
pra ser injusto ao lidar com a razão.

O pathos, o logos, o ethos,
as potências de existir que em mim se excedem,
no escopo do amor mantinham colocado
cada sujeito em seu lugar, tudo arrumado,
tudo amarrado,
mas cada lugar, em si, um caos,
e cada caos a síntese de um éden.

Acho que, de repente, acordei num trailer
desgovernado, por aí... Corpo afora.
Porque por dentro foi tudo corroído
num desbotamento covarde da cor.

O sulco aberto, em mim, pela libido
alienou sua função, secou até a memória;
até o subsolo da raiz do último fio
da mínima coisa que dá força ao gesto;
até uma nesga de sentimento figurar sozinha,
dilapidada pobremente,
mais pendida ao desgosto do mesquinho,
da comiseração
e da nostalgia.

Saudade de chegar em casa
e, havendo casa, encontrar o motivo
desta necessidade aflita por sorver,
esta fome insaciável, a qual,
após o jantar perdurando,
me questiono em consulta ao subterrâneo
da mente:
sorver, ok, certamente,
mas...
O quê?

2 comentários :

Borderline 26 de setembro de 2010 22:58  

Que seja nômade, neste trailer, o teu desejo

Luana 29 de setembro de 2010 01:19  

q linda!me senti ate pequena nos meus humildes versos...

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

Seguidores...

Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP