segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Poema para Clara dormindo.

Quem é ela que dorme nua
caiu súbita sincera e clara
quando a vista lhe pesou
me espremo na sobra estreita
na casa cheiro de mar
tem gosto de água e sal
no cabelo escuro liso
clara a manhã de todo santo
dia em que a vejo pisar descalça
sobre as areias de "para sempre"
e o quebra-mar de "nunca mais"
quem é ela que dorme isenta
das coisas tristes do mundo
e faz do corpo a imensa foz
de tudo o que me alimenta
clara a penúltima palavra
antes do sono e na última
ficou e fiquei
pela metade espremido
na sobra estreita do amor
ingênuo e leve de Clara
marcado pelo valor
de muito e apenas
ser.
(Livre.)

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Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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