sábado, 28 de agosto de 2010

Contra a corrente.

Perecer.
Destino natural...
Meu corpo agora estranha
o que já foi normal.

Se até lá eu viver,
eu sinto, eu sei:
Súbito estranharei
o amigo próximo,
e no desconhecido
hei de buscar o nexo,
o aval da benção,
e o colo.

E, com qualquer impulso,
tudo me será fácil,
pois quero muito pouco...
Agora que o injusto
e o paradoxo
já não me insuflam mais,
serei feliz com anestésico.
(Ou serei demente?)

Nadar contra a corrente?
Nada contra... Mas, pra quê?
Se, de repente, a natureza me ganha
e tão impotente quanto vi nascer
o meu delírio de tantos anos,
os meus sonhos, os meus planos
e eu... Todos juntos vamos
perecer.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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