quarta-feira, 9 de junho de 2010

Teu Leite.

"E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite,
me deu de beber a água com que havia lavado sua blusa."

Chico Buarque - Budapeste

Corpos inseguros
Estranhas ilhas
Na epiderme da terra
Onde somos imensos
Pequenos lapsos intensos
Revelam
Meu corpo árido
Estranho
Ilha insegura
Fruto de guerras
E te(n)sões
Tua boca ávida
Chupa
E semeia
Num gesto perfeito
Nosso cotinente-ilha
Inteiro
Revelo teu corpo ártico
Incontinente bebo
Teu leite
Lavo teus olhos
Friezas ásperas
Me arrastam
Pelas águas atlânticas
Nossas ilhas se chocam
E submergem
Sonâmbulas

Para além do eldorado
Terras em transe
E em transe(a) perfeito(a)
Eu te traço
Curvas
Nas águas turvas
Nossa ilha revela
Escombros de nós
Vícios de guerra
E espólios
Do chão de mundo
Em que planto
Teu leite
E onde nascem meus olhos
Nesse continente-ilha
Meu corpo úmido
E cálido
Submerge
Entre crônicas ácidas
História incerta
Nossas ilhas se afastam
Gélidas
E catatônicas
Teu doce dissolve
Em minha boca
Aberta

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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