domingo, 13 de junho de 2010

Largo de São Francisco

No Centro eu me perco
Entre cinemas e cinismos
Versos esquadrinhados
Largos e becos
E praças
Por avenidas largas
Barrocos, modernismos
Pensamentos atarracam-se
Com fomes
E fumaças
Passos estalam secos
E muitos e múltiplos
E placas e vênus
De ferro fundido
O coração se desmancha
Entre fios e vidraças
E as buzinas se atrapalham
No desconhecido

Largo de São Francisco
O sino já me devora
A hora é sempre uma angústia
Um pontilhismo lá fora
De gente
Ao meio-dia... Não arrisco existir
Entre endereços dementes
De famas
E fobias
Teatros, puteiros
Sebos, confeitarias
A aflição é bonita
E a solidão me entretém
Aqui não sou o centro
Aqui não sou ninguém

1 comentário :

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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