sábado, 8 de maio de 2010

Trava-Língua.

O mundo é um trava-língua:

Ou você se entrega.
Ou você se integra.

E de uma lista de verbos razoáveis:
Conseguir, suportar, querer, aceitar...
Por um problema na distância entre os nós
desse trançado a que chamamos "nós",
ou pela obscena intransigência entre
a comunicação, o sentimento, a lucidez,
eu prefiro não elencar verbo algum,
eu prefiro não condicionar a sentença...
Então deixo a lacuna, que resta agora
como o desdobramento de um monólogo inconcluso.
Como um estranhamento, um desapego,
uma cegueira.
Uma questão impossível para o "eu"
e para o "outro".

Mas onde vão as palavras urgentes?
Estão socadas dentro de um reboco
que só o silêncio cirscuncreve e ocupa,
evitando alguma queda desastrosa
no fosso da linguagem
e da loucura...

E logo surge o espaço do absurdo,
que só se nota no revés do espelho
na minha cara, no meu signo, no meu último
palpite sobre a palavra certa.

E no reflexo que expõe a casca
Ocorre um "eu"-não-"eu", um desencontro.
Uma cenografia,
um cobertor,
um escafandro...
Um perfeito David, ma chi non parla.

E se falasse não diria nada
Pois nada explica essa interrogação,
E junto dela o significante
Na obstinada e onerosa espera
Da nave virtual e pós-moderna
Que poderia dar algum recado
Sobre um suposto significado:

Eu não ____________ me integrar.

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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