sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Até o pó.

O fim da rua... O fim da rua.
Não vem ninguém.
Estico as mangas, timidamente,
Porque é verão.
( - E esta mania de usar mangas compridas)
Não vem ninguém.
Mais um café, por favor,
Um expresso.
Com ¾ de angústia
E um quê de saudade.
Eu vigio a vida, gole a gole,
Curioso até o pó.
E este filme démodé
Que frequenta a sessão da tarde.
Mas já vi, eu já sei,
Não vem ninguém.
Às vezes cochilo, às vezes sorrio.
Mas chato mesmo é fazer o bigode
(- maldito bigode.)
Que cresce feito erva daninha.
Feito a misantropia
Que me levou o amor.
Ontem não foi diferente:
Não veio ninguém.
E já são 16:36, o dia se esgota,
Num fim de rua mais ou menos
Distante
Onde os meus olhos capturam, em película,
A fumaça do café, ou do cigarro,
Tudo parece me lembrar que a morte
É um curta-metragem inexorável.
Este café gelando... E o que me importa?
Nunca será tão gelado quanto a espera.
Ou quanto a minha boca.

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Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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