terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PA-LA-VRA

Apenas espero, com ânsia.
Minhas mãos tateiam o silêncio, e se esgotam na carne,
e a vontade de olhar é maior do que os olhos.
Balbucio um chamado e inscrevo, num nome,
a ausência.
Mas nenhuma palavra contém
a mensagem
(Ou coisa alguma?).
E dos meus lábios sabotados pela dúvida
Escapam letras, que cavam
o buraco.
Tão mesquinhas que, às vezes, omito
o prazer da pronúncia:
PA-LA-VRA.
Mas não me posso furtar à expectativa
sobre o que deva haver de um outro lado
onde minhas mãos se esgueiram e procuram...
Talvez Deus, o orgasmo,
ou a palavra?

Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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