quarta-feira, 5 de março de 2008

A falha.

Filhas desgarradas: mórbidas lembranças,
Pálidas batidas do relógio meu,
Gotas da grotesca luz que encerra tudo
E o dia claro que me estremeceu...


Radioatividade de gente feliz
Chicles estourando em bolhas de cetim
Um feroz excesso de brilho e matiz
Quero assassinar as flores do jardim


Saudosa lembrança do que ousou estar
Mas não houve mais do que um verão em mim
Houve a triste falha em administrar
O que era bom e o que era ruim...


Pálidas batidas do relógio meu,
Vem cobrar os “não” que nunca foram “sim”
E que o tempo venceu...


Gotas da grotesca luz que encerra tudo
Voz de que eu não pude preservar o som
E hoje eu grito mudo...

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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