sexta-feira, 27 de julho de 2007

As pessoas que hoje encontro pelas ruas já não têm o velho brilho no olhar. Aquele brilho de quando se aprendia cedo a amar e muito tarde a se desiludir, coisa que há muito se invertera. No tempo em que as crianças mal sabiam de seus corpos, a vaidade era um suspiro na manhã do inverno e o mar vestia o seu azul mais lindo. Não há uma data, nem meses nem anos, em que tanta coisa tenha ficado para trás, pois foram como a idade, as festas, as férias: passou tudo de repente.

Não tenho saudades da infância, ou coisa que o valha. Mas tenho saudades platônicas da época (ou do delírio) em que me parecia o mundo um lugar mais limpo, mais suave, mais profundo. A conjuntura não caminha lá muito favorável para o amor. E não digo agora da política, da economia, das questões sociais... Eu falo somente do amor, esse que anda confundido, escondido, disfarçado...

O amor é o construtor da ética e da cultura, sem ele estamos aqui, nas trevas da ignorância... Se pudéssemos amar completamente, mais que alguém ou algo, amar a sede pela vida, pelo bem-estar ou pelo próprio amor... Então seríamos bons, seríamos ótimos, seríamos algo mais que humanos!

Temos sido mesmo as rochas erodidas, o beijo que antecede o escarro, a “desevolução” do tempo...

A barulhenta platéia da vida.

1 comentário :

Felipe Hautequestt 6 de agosto de 2007 23:13  

Grande Pedro!
Bom que tenha voltado a escrever.
Esse texto está excepcionalmente fantástico. Gostei mesmo. Até porque falar de amor atualmente é bastante complicado, já que, como você bem colocou, ele anda confundido, escondido, disfarçado.
Enfim, depois conversamos melhor.
E, mais uma vez, parabéns.

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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