domingo, 6 de maio de 2007

Vinho (ins)tinto.

É cruel o jeito como
A cobra faz o seu jogo
Espreita de longe a carne
Como d’alcatéia o lobo

A cobra que chega mansa
Sopra o veneno no dorso
Que agora o vento se espalha
Gelando o último osso

E salta o lobo canalha
Num corpo feito de louça
Faz marcas, como navalha,
Na pele fresca da moça

E o cheiro da carne virgem
Alastra na mata escura...
A luz da lua derrete
Em meio à fragrância impura

A vítima, que se treme
Corta o vento como faca
Foge da cobra, que ataca
Corre do lobo, que geme

A mulher, que vai depressa,
É como a noite que passa
Abrindo o último vinho
Brindando a última taça...

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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