quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Dimensão

“A existência de todas as coisas é relativa. Dizia George Berkeley: O que existe é o que vemos e tocamos. O que vemos e não tocamos não existe.”

Saí de casa como um bêbado, voltei como um louco...

Entrei no transporte coletivo como quem entra num túnel para uma nova dimensão... Não sabia bem o que queria ou o que sabia querer, mas assim mesmo fui ao nada. Chegando, rumei a falta de rumo até uma cadeira e uma mesa da galeria mais próxima ao meu mundo paralelo. Lá restei poucos minutos do relógio e algumas horas da alma... Pensava em todo o erro, em toda a culpa, em toda a hipocrisia... Pensava no nojo de ser eu mesmo.

De tanto pensar, de tanto pesar a consciência e o desejo, resolvi travar uma batalha em meu universo absurdo... Mais uma dessas batalhas silenciosas que não possui vencedores ou perdedores, e só tem me tornado ainda mais filósofo.

Será que sou louco? Durante a minha eterna guerra unilateral eu posso sonhar um sonhado final... Mas contra que inimigos? Certas vezes parece que luto apenas contra mim mesmo, que todas as projeções que tenho feito da realidade são absurdas, simplesmente porque nunca alçam posto além de estúpidas projeções... Acabei enxergando-me num universo ainda mais insano, ainda mais sujo e envergonhado... Perdi a linha entre as verdades e as mentiras, a hipótese e a alucinação...

Vivi as mesmas banalidades de sempre. A boca seca, o ar rarefeito. Esqueci tudo que diria, e disse outras e diversas coisas. Desaprendi a diplomacia das melhores guerras. Contive muito de mim mesmo, disfarcei, simulei, desesperei em vão.

Serei eu mesmo tão confuso? Será esta guerra tão mesquinha? Ou será a vida uma canoa quebrada?

Ao final fantasioso da batalha inexistente eu não sabia mais do que sabia antes, não enxergava mais o que enxergava antes... Agora eu era só um neurótico solitário, com um castelo de incertezas construídas no ar...

Se todo homem jovem é, de fato, um corcel alado, eu acho que fui estranhamente domado pelos meus próprios erros, incertezas e medos. Se agora estou parado num lugar só, e de lá não sou capaz de sair, não esperarei que uma estrela solidária acenda as minhas idéias... Melhor aprender logo a enxergar no escuro.

Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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