quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Muitas vezes troco as pernas...

Por que tenho que me tornar um alguém diferente para um novo tempo? Ainda sou o mesmo cara que não consegue trocar o certo pelo duvidoso, o mesmo cara que desconhece o valor de um erro... Ainda sofro pelas coisas que não consigo concretizar e que nunca descubro quais são. Eu sei que ninguém pode tudo, e nem deveria poder, mas ainda sou o garoto esperando e desejando que o mundo seja um sonho real, mergulhado em sutil ardência.

Um momento de transições faz da cabeça um espaço ainda mais conturbado e conturbador. É difícil saber o que amo porque pareço amar todas as coisas que quero, mas aprendi, segundo a tradição dos homens, que devo amar uma só. Se pudesse eu leria todos os livros com títulos interessantes, ouviria todos os Cd's da bossa nova, do jazz, da mpb, do pop rock ou de qualquer melodia que soasse bem aos ouvidos, amaria todas as almas potencialmente amáveis, viveria todos os beijos que o corpo pedisse... Mas não há tempo. Nunca há tempo, pois nem todo o tempo do mundo apraz a alma. Por isso tenho tentado mudar a tática. Só que a estória de viver um dia após o outro é só estória mesmo. Tenho tentado viver uma vontade após a outra, porque todas ao mesmo tempo se confundem e se agridem. Não dá pra ser feliz por completo, até porque se assim fosse, o que mais eu iria procurar? Se a graça da vida está mesmo em procurar um troço que satisfaça a alma, esse troço tem de ser mesmo um mistério, afinal uma alma plenamente satisfeita seria o tédio...

Muitas vezes troco as pernas... Não sei onde piso, não sei o que faço, mas tenho tentado muito fazer. Não agüento a indisposição de ficar parado. Me sentir parado é contentar com a glória obtida e com toda palavra pela metade, toda rua mal percorrida, toda tragédia não chorada. E sendo assim, não poderia dizer que estive um dia vivo, se todo ser que é vivo precisa da dor e do remédio pra que possa construir uma noção justa de prazer.

Então agora eu penso: Serei mesmo um canalha por olhar um mundo deliciosamente inescrupuloso e ser exagerado? Se for provar, do que adianta uma só fatia? Não satisfaz a vontade pessoal nem dá a alma ao coletivo. Então, quase convicto, eu posso dizer: Quem não tiver telhado de vidro, que atire a primeira pedra.

0 comentários :

Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

Seguidores...

Sobre a dúvida...

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP