sábado, 8 de abril de 2006

o sinal.

O sinal bate e avisa a hora da chegada... mas não o sinal do pátio, o sinal inteiror em mim mesmo... Não fala de qualquer um, mas avisa a tua chegada... Diz coisas absurdas, atira em meus ouvidos palavras sobre mim mesmo as quais eu nunca ouvira... Dispara verdades... sinto a respiração pulsar como se não coubesse mais no peito, sinto-me angustiado... penso compulsivamente em não te amar, que não te amo... como o bêbado, mais que do whisky, foge da loucura. Escapo os olhos na mobília, nas paredes, no fundo dos teus olhos... Sou o viciado arisco, combatendo a compulsão, a loucura, e os sinais óbvios de paixão... E tantas verdades e mentiras se misturam, se perturbam, se enroscam, ao ponto que o ser ou não ser é momentâneo, é o filho único do impulso de um tempo qualquer... é um fruto da oportunidade certa ou errada... é o que se faz dos medos e dos desejos. Perco-me em você, perco-me em sinais, não sei quais partes de mim te amam ou te inventaram nas minhas idéias... idéias ? As tenho tão poucas que me falta ar e sanidade para saber o que se passa dentro ou fora de mim... Estou tão fora de mim que posso, de repente, me perder em qualquer idéia: que me ame, que me odeie, que eu te ame, que eu te odeie... tão poucas idéias que não posso sequer defender um pensamento fixo, um ponto de vista... Sei agora um único fragmento lúcido dos meus dias: quando o sinal toca, e você sai pela porta, sinto o arroubo de te atrelar a mim aos beijos, e te atirar no ouvido apelações diversas, como fez comigo o sinal; coisas sobre você que nem eu, nem você, imaginemos...

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Manifeste-se!


Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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