sábado, 8 de abril de 2006

lembranças...

É estranho quando, por exemplo, entro no palavras insanas e vejo tudo lá intacto... na verdade a capa de um tempo que não existe mais, a embalagem vazia de outros idos, outros ares, outros "eus", não necessariamente "eus" melhores... tais coisas não me vêm como pura nostalgia, mas como uma lembrança angustiante... aquele tempo até tinha suas virtudes, embora fosse eu muito ingênuo... a ingenuidade não deixa de ser, vez ou outra, uma virtude... muitas coisas mudaram, mas não posso dizer de forma alguma que ganhei muito com o tempo, com os sentimentos, com o pouco passar da idade ou os aprendizados... sou humilde pra dizer que não só ganhei, mas também perdi muito: perdi amigos, perdi um pouco da minha paz interior, perdi aos poucos boa parte da crença nas coisas da vida... não sou capaz de avaliar o que valeu ou não desses anos de vida, mas agora posso dizer sem medo que eu preferia estar lá, 3 anos atrás, ingênuo e sentimental em frente à tela vermelha do Palavras Insanas, do que sentir no peito essa angústia de que está próximo o fim das oportunidades que eu tive para dedicar paixão às coisas pequenas, aos amigos e à vida, e eu continuo com a pérfida sensação de deveres morais e sentimentais não cumpridos, de palavras de amor e de discórdia presas na garganta...

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Sobre o blog...

Vivo com Chronos uma relação de contemplação e medo, e à hora de matá-lo minhas mãos balançam: hesito. Meu fracasso é ser menor do que todas as possibilidades, o que é a mais pura condição humana. E numa luta desesperada contra o deus (ou a favor dele?) eu lhe oferto o que ainda me resta... Porque o tempo quer tudo, mas eu só tenho palavras.

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"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico." - Albert Camus

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